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Capítulo 3:

A postura de Alpha Richard Brown

A raiva e a traição me consomem enquanto encaro ela, minha suposta companheira. Como a Deusa da Lua pôde cometer um erro tão grotesco? Meu coração bate furioso, e eu luto para conter o impulso violento que surge dentro de mim.

"Você é a causa de toda essa merda, Ray. Você é quem me forçou a estar aqui!" Eu rosnou, descontando no meu Beta e melhor amigo, Raymond. Estou de volta à nossa mesa, longe de todo o drama.

"Como isso é culpa minha? Tudo que fiz foi aceitar o convite para vir," ele responde. "Eu não a coloquei como sua companheira."

"A Deusa da Lua certamente estava distraída quando fez esse emparelhamento. Você chegou a olhar direito para a garota?"

"Olhei."

"E faz algum sentido que uma garota fraca, inútil e nojenta como ela seja minha companheira? Minha parceira para a vida ou morte?"

"Ah, cara, não sei. Não posso dizer que a Deusa da Lua errou. Isso seria blasfêmia," Raymond franziu o rosto. "No entanto, ela tem o corpo e o que é necessário para ser sua Luna."

"Blasfêmia ou não, eu não ligo. A Deusa da Lua pregou uma peça em mim hoje, e eu vou cobrar ela por isso. Me emparelhar com uma garota assim é loucura," eu digo. "Eu comando um maldito império, cara. Que ajuda ela vai me dar como minha Luna se nem consegue manter meu olhar? O jeito que ela treme de medo faz parecer que ela é uma Omega. Ainda não acredito que o pai dela seja o Beta dessa matilha."

"Já falou demais, cara. Dá um tempo para a garota," Ray afirma. "E se você olhar de uma perspectiva menos crítica, ela não seria uma Luna ruim para você."

"O que você acabou de dizer?"

"Sério, cara. E daí se ela não tem um lobo? Deve haver outras qualidades nela, e você só vai descobrir se tentar encontrá-las. A Deusa da Lua nunca erra em—"

"Esses emparelhamentos. Temos que dar esse salto de fé e confiar que vai valer a pena."

"Salto de fé, o caramba! Vou quebrar o pescoço se der um salto de fé com essa garota. Não teria como aguentar um dia sem rejeitá-la."

"Sem nem tentar conhecê-la? Nossa! Tá, eu entendo. Mas você precisava humilhá-la do jeito que fez?" ele pergunta. "Seria melhor se você tivesse a rejeitado em segredo e poupado a dignidade dela. Agora ela vai ser motivo de piada entre os colegas."

"Eu não tô nem aí se o mundo inteiro zoar ela pela humilhação que causei," digo friamente.

"Isso só te torna insuportável, rude, brutal e orgulhoso," Ray resmunga.

"Tudo isso?" respondo, surpreso. "Cara, qual é o seu problema? Por que você está do lado dela em vez do meu?"

"Eu não estou escolhendo lados, Richard," ele nega, com as mãos no ar.

"Pra mim, parece que está."

"Não sou responsável por como você interpreta as coisas. Só estou falando a verdade. Humilhar ela e a família dela daquele jeito foi errado. E você sabe que a verdade dói, então lide com isso. Mas não esqueça, você errou," Ray declara secamente e sai, me deixando pra trás.

"Ray!" chamo, mas ele não se vira. Ele desaparece no meio da multidão e começa a conversar com outros Betas de outras alcateias.

A festa acaba em uma hora, e temos que ir embora. A viagem de volta para a alcateia é péssima, já que ignoramos um ao outro. Nos recusamos a reconhecer a presença um do outro. Ele quer que eu admita que errei, mas não vou admitir porra nenhuma. Porque eu não errei, e Raymond tem que entender isso.

Raymond é meu amigo de infância e meu melhor amigo. Depois da morte do meu pai, o antigo Alfa da Alcateia Garra Negra, e do Beta dele, o pai de Ray...

Então, me tornei o Alfa da matilha, e Ray automaticamente se tornou meu Beta. Temos nossos desentendimentos e às vezes nos irritamos. No entanto, sei que ele sempre me apoia, e eu o apoio também.

"Ei, você mesmo não vai falar comigo?" exijo, quebrando o silêncio entre nós. Ray me ignora e finge dormir. "Não é você com quem estou falando?"

"O que você quer?" ele pergunta.

"Quero que você fale comigo", respondo. "Por que está agindo frio comigo?"

"Por que não faria isso, Richard? Quando você se recusa a me ouvir."

"É por causa daquela loba?"

"Aquela loba é sua companheira, cara. Sua Lua!" ele grita. Ele me olha com uma mistura de raiva. Como ele pode se referir a ela como minha companheira? Eu deveria tê-la matado ali mesmo para acabar com meu sofrimento. A deusa da lua me humilha ao me emparelhar com uma loba insignificante como ela.

Olho para Ray, que está me encarando como se eu fosse seu inimigo. "Mas que diabos!"

"Chega", ele murmura. "Devemos parar de falar sobre isso."

"Você é meu Beta e meu melhor amigo. Deveria pensar na matilha e no povo. Como posso aceitar uma garota que não contribuirá em nada para o meu reino? Ela só pode ser um fardo, e eu não aceitarei isso."

"Isso é insano, Rich. Totalmente insano", ele rosna. "A deusa nunca erra."

"Dessa vez sim, Ray. Ela está completamente errada em emparelhar um lobo forte como eu com ela. Eu sou o rei. Você me obrigou a vir a esse encontro ridículo."

Ele solta um som irritado. "Você não deveria ter vindo."

"Você sabe que eu não queria vir", rosnico. Se não fosse por ele estar ansioso para encontrar sua companheira. Ele acha que vai encontrar a dele aqui, e é por isso que o acompanhei, sem saber que enfrentaria humilhação. Nunca vou perdoá-la. Vou matá-la na próxima vez que a encontrar. "Você me obrigou."

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