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Sua Luna Silenciosa by Abby Gale - Book Cover

Sua Luna Silenciosa

Abby Gale
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Introduction
Rejeitada por seu companheiro predestinado. Verity Valcaryn não conheceu nada além de silêncio e sombras. Escondida em uma torre por toda a sua vida, ela foi descartada por sua família real por não ter lobo — um constrangimento, uma gêmea secreta que ninguém deveria saber. No seu 18º aniversário, ela escapa e é confundida com sua irmã, Felicity, e marcada por um príncipe que ela não conhece. Mas quando sua identidade é revelada, o próprio sangue dela a condena como uma bruxa. Ela é jogada nas amaldiçoadas Terras Sombrias para morrer. Só que ela não morre. Três anos depois, ela retorna. Agora, ela é A Luna Silenciosa — Rainha dos Renegados, portadora de magia amaldiçoada e escolhida pela própria Deusa da Lua, renascida com um lobo das trevas, magia proibida e uma fome de vingança. Mas o amor não fazia parte do plano dela. O destino a lança nas mãos de Cassian, Rei de Lunaris, um homem lamentando uma companheira perdida — que talvez seja a segunda chance dela Enquanto reinos desmoronam e a traição corre fundo, Verity precisa decidir… Ela vai salvar o reino que a destruiu? Ou queimá-lo até virar cinzas?
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PRÓLOGO: A Noite de Duas Luas

POV da Grace

Os gritos já vinham acontecendo há horas.

Eu estava do lado de fora dos aposentos da rainha, com as mãos entrelaçadas com força suficiente para doer, ouvindo Sua Majestade gritar repetidas vezes como se algo estivesse rasgando-a por dentro. As outras criadas sussurravam orações para a Deusa da Lua, mas eu apenas fiquei ali, paralisada, porque eu não sabia mais o que fazer.

Ninguém nos disse que seria assim. O curandeiro real tinha garantido a todo mundo que o parto aconteceria sem problemas, que o bebê chegaria sob a lua de sangue como uma bênção. Mas isso não soava como uma bênção. Isso soava como uma execução, e Sua Majestade era quem estava sendo morta.

— Grace. — Uma das criadas mais velhas tocou meu ombro. — Vá buscar mais água. Deixe-a o mais quente que você conseguir.

Eu assenti e me apressei pelo corredor, grata por ter algo para fazer além de ficar ali, inutilmente. Minhas mãos tremiam enquanto eu enchia a bacia na cozinha. A cozinheira nem levantou os olhos de onde estava preparando uma refeição que ninguém comeria.

Ela estava tão nervosa quanto o resto de nós.

Todo mundo no palácio conseguia sentir. Havia aquela sensação de algo errado no ar que fazia sua pele arrepiar.

Eu só não conseguia identificar o que era.

Quando voltei para os aposentos, os gritos tinham parado.

Por um instante, eu achei que o pior tinha acontecido. Então eu ouvi, o choro alto de um bebê, e o alívio instantaneamente percorreu por mim com tanta força que eu quase deixei a bacia cair.

Graças à Deusa. Graças à Deusa.

Mas então eu ouvi a voz da rainha, ela estava fraca e confusa. — Esperem. Esperem, tem mais um.

Meu sangue gelou.

A porta se escancarou e o curandeiro tropeçou para fora, parecendo pálido e transtornado. — Chamem a Vidente Elara. Agora. Digam a ela que é urgente.

Eu não fiz perguntas. Eu apenas corri.

A Vidente Elara morava na ala leste, num quarto que sempre cheirava a sálvia e a alguma coisa amarga que eu nunca conseguia nomear. Eu soquei a porta dela com força suficiente para machucar meus nós dos dedos. — Vidente Elara! A rainha precisa da senhora. É o parto, são dois bebês, por favor!

A porta se abriu antes de eu terminar de falar. A Vidente Elara estava ali, já vestida, seus olhos cegos de algum modo olhando através de mim. — Eu sei, criança. Eu estive esperando.

Aquilo deveria ter sido meu primeiro aviso para correr porque algo maligno estava vindo, mas eu não prestei atenção.

Nós voltamos juntas às pressas, meu coração martelando o caminho inteiro. Quando entramos nos aposentos, eu vi a Rainha Avaline apoiada contra travesseiros, seu cabelo escuro grudado na testa de suor. Nos braços ela segurava um bebê envolto em pano branco, mas os olhos dela estavam no segundo embrulho que o curandeiro estava limpando.

O Rei Jared estava junto da janela, seu rosto indecifrável.

— Duas filhas, Vossa Majestade — disse o curandeiro em voz baixa. — Gêmeas.

O rosto da rainha se desfez com algo entre alegria e exaustão. — Gêmeas. Oh, minhas queridas. Deixe-me ver as duas.

O curandeiro trouxe o segundo bebê e a colocou no outro braço da rainha. Por um momento, tudo pareceu quase normal. Uma mãe com suas filhas recém-nascidas. Um rei com suas herdeiras. A lua de sangue entrando pelas janelas banhando-as com suas bênçãos.

Então a Vidente Elara deu um passo à frente.

— Eu preciso examinar o bebê — disse ela, e a voz dela tinha ficado estranha e distante. — As duas.

A rainha hesitou, mas o rei assentiu bruscamente. — Faça.

A Vidente Elara pegou o primeiro bebê, o que tinha nascido antes, e colocou suas mãos enrugadas na cabeça da criança. Ela ficou em silêncio por um longo momento, então sorriu. — Esta brilha intensamente. Lobo forte e linhagem poderosa. Ela vai trazer glória para sua casa.

A Rainha Avaline soltou um fôlego que soou como se ela estivesse soluçando. — Oh, graças à Deusa.

Mas quando a Vidente Elara estendeu a mão para o segundo bebê, tudo mudou.

No instante em que os dedos dela tocaram a pele da criança, ela arfou e recuou como se tivesse se queimado. Seus olhos cegos se arregalaram e o corpo inteiro ficou rígido.

— Não — ela sussurrou. — Não, isso não pode ser.

O quarto ficou tão quieto que eu conseguia ouvir o meu próprio coração.

— O que foi? — A voz do Rei Jared, tão áspera que eu me encolhi, mesmo não sendo direcionada a mim. — O que há de errado com ela?

As mãos da Vidente Elara tremiam enquanto ela examinava o segundo bebê com mais cuidado. A criança não chorou. Ela apenas ficou ali, com seus olhinhos minúsculos fechados, tranquila e alheia. Quando a Vidente finalmente falou, eu desejei que ela tivesse permanecido em silêncio em vez disso.

— Ela não tem lobo.

A rainha fez um som que eu nunca vou esquecer; foi um suspiro ofegante e um gemido.

— Sem lobo? — O rei deu um passo à frente. — Isso é impossível. Nós somos descendentes diretos do Primeiro Alfa. Toda criança nascida da nossa linhagem tem um lobo.

— Não esta — o rosto da Vidente Elara tinha ficado cinzento. — E tem mais uma coisa, e isso é muito… escuro. Eu consigo sentir isso enroscado ao redor dela como uma sombra. Esta criança carrega uma maldição.

— Que tipo de maldição? — A voz do rei baixou, baixa e perigosa.

A Vidente fechou os olhos. Quando abriu de novo, falou numa voz ainda mais estranha. — Duas nascidas de um só ventre. Uma luz e a outra sombra. Uma vai se erguer em glória, a outra em ruína. — A voz dela mudou, de novo. — Mas cuidado, porque a escuridão que você enterrar um dia consumirá a luz.

O silêncio veio depois disso.

Então o rei se moveu. Ele cruzou o quarto em três passadas e arrancou o segundo bebê dos braços da Vidente. A criança finalmente fez um som, um pequeno gemido confuso que partiu meu coração.

— Jared, espere. — A rainha tentou se sentar, mas estava fraca demais. — O que você está fazendo?

— O que precisa ser feito. — Ele encarou o bebê sem nenhuma emoção no rosto. — Nós não podemos deixar essa coisa destruir o nosso reino. Nós não podemos deixar que isso destrua a nossa verdadeira filha.

— Ela é nossa filha também! — A voz da rainha falhou. — Por favor, ela é só um bebê, nós nem sabemos o que a profecia significa.

— Eu sei exatamente o que significa. — O rei se virou para encarar a esposa. — A Vidente nunca errou. Se mantivermos esta criança, ela vai trazer ruína para tudo o que construímos. Para a irmã dela. Para o nosso povo. — Ele olhou de novo para o bebê. — Ela nem tem um lobo, e-e-ela é uma abominação!

Ele fez uma expressão de nojo para a criança como se ela não fosse dele.

— Então o que você sugere? — O rosto da Rainha Avaline estava molhado de lágrimas. — Você quer matar a nossa própria filha?

Por um momento, eu achei que ele pudesse dizer sim. Então o maxilar dele se contraiu. — Não. Mas ela não pode existir. Ninguém pode saber que tivemos gêmeas. Ninguém pode saber sobre a profecia. — Ele se virou para o curandeiro, para a Vidente e para mim. — Todo mundo neste quarto vai jurar um juramento de sangue para nunca falar desta noite. E a criança vai ser trancada onde nunca possa ameaçar ninguém.

— Jared, por favor. — A rainha estendeu uma mão trêmula. — Não faça isso.

Mas ele já estava indo até a porta. — Chamem os guardas, mandem eles esvaziarem a Torre Norte e me tragam alguém em quem possamos confiar. — Os olhos dele pousaram em mim. — Você. Qual é o seu nome?

Minha voz saiu mal acima de um sussurro. — Grace, Vossa Majestade.

— Grace. — Ele repetiu, como se estivesse memorizando. — Você vai servir a criança. Você vai levar comida e água para ela duas vezes por dia. Você não vai falar com ninguém sobre isso, isso significa que você não vai contar para ninguém que ela existe. — Os olhos dele perfuraram os meus. — Se você soltar uma palavra disso para qualquer pessoa, eu vou mandar executar você e todo mundo que você ama. Você entendeu?

Eu não conseguia respirar nem pensar a essa altura. Mas eu assenti.

— Diga — ele ordenou.

— Eu entendo, Vossa Majestade.

O que mais eu podia fazer? O que mais eu podia dizer?

O resto da noite passou num borrão de horror. Os guardas iam e vinham em silêncio. O curandeiro preparou o juramento de sangue, e todos nós cortamos as palmas das mãos e dissemos palavras que amarraram nossas línguas para sempre. A rainha soluçava nos travesseiros, agarrando sua filha que ficou como se alguém pudesse roubá-la também.

E eu fiquei ali segurando o segundo bebê, a amaldiçoada, a indesejada, e senti a mãozinha dela se fechar em torno do meu dedo.

Quando chegou a hora, o rei me entregou uma chave. — A Torre Norte. Vá para o último andar, tem um único quarto lá. É lá que ela fica. Sem visitas. Sem exceções.

Eu peguei a chave com dedos dormentes.

Enquanto eu carregava o bebê pelos corredores vazios, ela começou a chorar. Baixinho no começo, depois mais alto, como se de algum jeito ela soubesse o que estava acontecendo e entendesse que a vida inteira dela tinha acabado de ser decidida por ela antes mesmo de completar uma hora.

A Torre Norte era fria e escura e cheirava a poeira. As escadas pareciam não acabar nunca. Minhas pernas ardiam quando eu cheguei ao topo. O quarto era pequeno e vazio, com exceção de apenas um berço e uma janela alta demais para qualquer um alcançar.

Eu deitei o bebê no berço tão delicadamente quanto eu consegui. Ela olhou para mim com olhos desfocados e eu me perguntei que cor eles acabariam tendo. Eu me perguntei como a voz dela soaria. Eu me perguntei se alguém algum dia saberia o nome dela.

Então me ocorreu…

O rei nem tinha dado um.

Eu puxei a manta fina para cima em torno do corpinho dela, e ela segurou meu dedo de novo, tão pequena e confiante que fez meu peito doer.

— Me perdoe, pequenininha. — Minha voz falhou enquanto eu tentava segurar as lágrimas. — Que a Deusa da Lua tenha misericórdia de nós todos.

Eu dei um nome ao bebê.

Verity.

Significava verdade.

Porque eu sabia, mesmo naquela época, que isso não terminaria bem.

Ela ergueu a mão e segurou meu dedo. No momento em que ela segurou meu dedo, uma sensação maravilhosa lavou o meu corpo inteiro. Naquele momento, eu não percebi que…

Este pequeno bebê um dia mudaria o destino de todos no reino.

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